O primeiro passo para a instalação de uma unidade de conservação de uso sustentável do butiazeiro aconteceu nesta terça-feira, dia 9, com a participação de representantes de ongs, colônia de pesca, marinha, especialista em meio ambiente e secretários municipais em reunião para debater o assunto.
A próxima etapa serão as audiências públicas nas comunidades de Bentos, Barbacena e Barranceira, que integram a área.
A planta símbolo do município, o butiá, está ameaçada devido o desmatamento e as queimadas. Um dos últimos locais sobreviventes que guardam os butiás nativos está sofrendo com a ação do homem.
O presidente da Fundação Lagunense do Meio Ambiente, Agnaldo Limas, salientou a "importância do início das discussões para encontrar uma forma democrática sobre o tema".
O local destinado está ás margens da BR-101 e da lagoa Imaruí, popularmente conhecida como Areia Vermelha.
De acordo com a bióloga, diretora técnica da Flama e educadora ambiental, Liége Rosa, a área de aproximadamente 100 hectares é privada, com inúmeras espécies.
Famílias de pescadores artesanais sobrevivem da venda do fruto do butiá para a confecção de sorvetes e aguardentes, até mesmo, nas margens da BR-101 para os turistas.
Uma complementação da renda, maioria dos frutos a população local retira da área. "Uma importante biodiversidade para a atual e futuras gerações de nosso município. O maior e um dos últimos remanescentes bem conservados deste tipo de ecossistema em Laguna", explica a bióloga.
Através da unidade de conservação, estudos técnicos serão realizados, além da educação ambiental com a comunidade.
A área de restinga é um ecossistema da mata atlântica, com grande valor do ponto de vista ecológico, com rica biodiversidade. No local existe inúmeras bromélias, orquídeas e outras plantas utilizadas, até mesmo, pela população local como medicinal.
Saiba mais sobre o butiazeiro:
O butiazeiro, nome científico de Butia capitata Martius Beccari var. odorata, é uma palmeira originária do Uruguai, tendo sido dispersado no sul do Brasil pelos índios e tropeiros.
A espécie é muito abundante no Uruguai, ocupando aproximadamente 70 mil hectares dentro dos palmares da Reserva da Biosfera de Bañados del Este.
Apesar de estar protegida pela lei desde 1939 e a espécie não estar ameaçada de extinção, sua regeneração natural está comprometida pelo pastoreio, pois o gado se alimenta das plantas jovens. No Uruguai, os butiazeiros atingem o porte médio de 8 metros, ocorrendo em grande densidade associados a outras espécies de palmeiras.
No Brasil, os butiazeiros ocorrem em menor densidade, com porte médio em torno de 90 cm. Esta espécie é encontrada no litoral, desenvolvendo-se nas áreas de restinga. Em Santa Catarina eram encontrados de Garuva até Sombrio, ocorrendo atualmente em maior concentração no município de Laguna. Outra espécie de butiazeiro que ocorre em nosso estado é o butiazeiro-da-serra, o Butia eriosphata, que apresenta plantas de porte mais robusto e frutos maiores.
A ocupação humana e o reflorestamento com espécies exóticas para corte tem contribuído para a destruição do ecossistema de restinga em nosso município, e conseqüentemente, das populações de butizeiro. No ambiente natural estas populações estão distribuídas em pequenos fragmentos, alguns ainda em bom estado de conservação.
Os frutos do butiazeiro servem de alimento para animais como pássaros, morcegos, além do cachorro-do-mato ou graxaim. As flores do butiazeiro representam importante recurso alimentar para as abelhas nativas, tendo sido coletadas 28 espécies se alimentando do pólen ou do néctar das flores.
O butiazeiro apresenta grande potencial de exploração econômica de forma sustentável, suas folhas podem ser usadas para a confecção de artesanato e os frutos, conhecidos como butiá, podem ser usados para a produzir sucos, sorvetes, licores ou para consumo in natura.
A população local já vem utilizando há bastante tempo os produtos originados do butiazeiro como fonte complementar de renda. Antigamente, eram as folhas que geravam renda através da venda para a fabricação de colchões e hoje, são os butiás que são vendidos em saquinhos às margens da BR-101 ou para fábricas de sorvetes, na produção artesanal de sucos e da "cachaça com butiá".
O reconhecimento da importância desta planta veio através da Lei Nº 1.121 de 30 de novembro de 2005, que declarou o butiazeiro como planta símbolo do município, proibindo a sua queimada ou corte, práticas estas bastante comuns antes da promulgação da lei.
Os butiazeiros, assim como as demais plantas que compõem a rica biodiversidade da restinga de nosso município, representam um patrimônio genético, econômico e paisagístico que devemos conservar para nosso uso e das futuras gerações.
O ecossistema de restinga como parte do Bioma Mata Atlântica é protegido pelo Código Florestal Lei Nº 4.771 de 15 de setembro de 1965; Lei Nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006 e Resolução Conama Nº 303 de 20 de março de 2002. Além destas, temos especificamente para o Estado de Santa Catarina a Resolução CONAMA Nº 261 de 1999, que estabelece os parâmetros básicos para análise dos estágios secessionais de vegetação de restinga de nosso estado.